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domingo, 17 de julho de 2011

Milords e Miladys


Vamos embarcar, rumo a tempos distantes....vamos sentir a energia de antepassados remotos, perdidos na voragem dos tempos.....
Lá, bem distante, na Europa medieval, vamos invadir castelos e assistir mulheres e meninas em suas lidas diárias, tecendo....costurando....cozinhando....dançando! Esta arte de movimentar o corpo, sempre pertenceu também as mulheres, que esperavam por seus homens para bailar com eles aos sons medievais.
E assim, de volta ao passado, vamos percorrer caminhos na dança e na música que mostram culturas, incluindo nossas próprias raízes européias, e outras que chegam até aqui atraídas por esta passagem de tempo.
Tu, que nos assiste, vos rogamos que nos escute com vossa alma! Que se deixe levar pelas sonoridades e beleza dos movimentos que aqui hão de passar, acolhas com gratidão esses calorosos gestos!  Há alguns que receberam o dom da inteligência, mas têm sensibilidade somente para as coisas da carne, que se abram as portas da sua alma para nos assistir e nos sentir!Tal como o porto para o navegador, assim também para vós será com regozijo que chegareis à última apresentação. Mas agora, nosso ponto de partida! Da música medieval, até os dias atuais, vamos fazer um passeio pela cultura!
Para tanto, algumas sugestões:
Corvus Corax
The Corrs
Terra Sonora
São músicos contemporâneos, mas que apreciam uma boa pitada de medievalismo.
Como sugestões de imagens:
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=rafaelismo&gs_sm=e&gs_upl=1409l2893l0l3745l10l6l0l0l0l0l786l2023l0.1.4.6-1l6&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.&biw=1600&bih=736&um=1&ie=UTF-8&tbm=isch&source=og&sa=N&tab=wi
Aceito sugestões de Milords e Miladys!

A Sensibilidade Única do Ballet de Isadora Duncan


         Certa vez, Isadora Duncan, precursora do Ballet moderno retirou as asas de borboleta que compunham seu figurino e afirmou que sabia como fazer uma borboleta com seu próprio corpo, sem necessidade de adereços. A impressão que causou sua performance foi tal, que acabou sendo ovacionada pelo público no meio da apresentação.
         Em sua biografia, ela diz que no período inquietante que antecede a criação artística, a sensação é de ter borboletas voando no estômago. O artista sente que tem algo para acontecer, mas não sabe definir bem o que é.
         "A beleza da arte não é feita de ornamentos, mas daquilo que flui da alma humana inspirada e do corpo que é seu símbolo..." (Isadora Duncan).
         Seus movimentos, inspirados na força selvagem da natureza, eram como um mar em tempestade, o fluir das ondas, as curvas do vento. Sua fonte de inspiração, as danças rituais da Grécia, quando passou a dançar de pés descalços, vestindo coloridas túnicas de seda, causando escândalo na sociedade da época. Revolucionou ainda o repertório musical, utilizando então compositores como Chopin, até então considerado apenas para ouvir, e não para dançar.
         Queria realçar a sensibilidade única de cada bailarino, sem perder de vista a técnica. Pesquisou então as origens da dança, as maneiras de expressão nas diferentes culturas do mundo - "Desde o início sempre dancei minha vida".
         Pessoas únicas sofrem por ser diferentes. Com toda nossa tecnologia, é cada vez mais difícil ter uma sensibilidade única, em uma sociedade massificada e consumista. O diferente, seja ele quem for, ainda não é aceito, à margem do capitalismo selvagem.
         Pessoas únicas como Isadora ousam, mas não passam despercebidas pela terra. Atrevo-me a dizer que estas pessoas nascem para chacoalhar e trazer um outro olhar sobre a vida. Resta saber, quantas pessoas diferentes não acabam se calando, para simplesmente serem aceitas...aceitas? Por quem mesmo?
         Agir mais, olhar mais para o outro, aceitar mais. Precisamos de mais gente fina elegante e sincera, como diz a música de Lulu Santos.

Por que um Aramis Gorniski faz falta?


Por que um Aramis Gorniski faz falta?
O amigo é um outro eu. Sem amizade o homem não pode ser feliz.
Aristóteles

Algumas pessoas passam pela vida como entram...pouco se envolvem, pouco sentem calor,pouco olham para quem está ao lado, simplesmente são pouco.
         Aramis, é muito.
         Sangue quente, opinião forte, olho no olho.  A voz forte e decidida de quem passa pela vida e faz toda a diferença. Muitos hão de se lembrar dele assim, segurando o chimarrão, gesticulando, rindo. Outros, dos últimos tempos, passarinho preso na gaiola com coração de leão, rugindo em silêncio. Eu prefiro lembrar de uma imagem de um vídeo.
Nossa última conversa, fui agradecer por uma foto do tempo de Miss Lapa no jornal, e comentei que assisti ao vídeo do evento. A  câmera se volta de repente para a pista e lá estão, Aramis e Suzana, dançando como um bom casal apaixonado, os dois sorriem para a câmera. O mesmo sorriso me dizendo “ é claro, você bem sabe o quanto estávamos felizes por ser você, nossa querida!”. Aramis diz então que não poderia mais dançar como naquele tempo, o fôlego lhe faltaria, pássaro sem asas, mas que a vida corria nas veias com o galope de um cavalo selvagem.
         Muitos de nós ainda sentindo essa força chamada Aramis nos editoriais do jornal. A palavra edificante, a sabedoria de quem dominava com paixão o ofício da escrita. O leve desdém de quem era do tempo “que colava as fotos e as notícias fazendo milagre pra caber tudo em uma folha”, não desse tempo do Aramizinho de photoshop, computador e mais não sei o que. Uma época mais divertida? Talvez mais trabalhosa...porém, parte importante da imprensa da Lapa e da região.
         O que fazemos com essa lacuna que um Aramis deixa na legendária que ele tanto amou? O que podemos mandar até as estrelas, além da nossa saudade, do nosso carinho?
         Eu, deixo um poema de Fernando Pessoa. Nada mais do que palavras, palavras apenas...

Segue o teu destino

Segue teu destino,
Rega tuas plantas,
Ama tuas rosas.

O resto é sombra
De árvores alheias.

         Segue teu destino amigo Aramis. Por aqui, ficam apenas as rosas de amizade que você nos deixou. Você sempre será muito. Você sempre será mais. Você sempre será o pequeno grande Aramis Gorniski.

Ana Mae Barbosa


Carioca, Ana Mae é professora da pós-graduação em arte-educação da Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo. Foi diretora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e presidente do International Society of Education through Art (InSea). Considerada uma sumidade quando o assunto é Arte-educação, Ana Mae Barbosa não tem dúvidas sobre a importância do ensino de arte nas escolas, o que em primeiro lugar incentiva a criatividade. Partindo deste contexto, Ana Mae considera que a Arte é o elemento facilitador do processo de aprendizagem e prepara melhor os alunos para enfrentar o mundo. "...o que a arte na escola principalmente pretende é formar o conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte"...(BARBOSA, Ana Mae citada por BERG, Evelyn, A Imagem no Ensino da Arte, 2a Edição, Ed . Perspectiva)
     Sobre sua vida, pode-se contar que Ana mudou-se aos 3 anos para Pernambuco. Filha de uma família tradicional, queria estudar Direito, um caminho pouco comum naquela época, pois, normalmente a mulher seguia a carreira de: professora. Mas a jovem Ana Mae odiava a educação, que considerava ser um instrumento de repressão e não de libertação das massas.
     Em um cursinho para um concurso de professora primária conheceu o pensador Paulo Freire, que destruiu em uma conversa os seus preconceitos sobre educação e abriu-lhe as portas para um novo mundo.. Mesmo formada em Direito, Ana Mae foi dar aulas e transferiu as idéias libertadoras do mestre para o ensino da arte. Foi para os Estados Unidos e voltou como a primeira doutora brasileira em arte-educação e em seguida, comandou as pesquisas da Escola de Comunicações e Artes da USP sobre o tema.
     Criadora da teoria da "abordagem triangular", ela defende a idéia de que o "ver" e o "fazer" são tão importantes quanto a contextualização da leitura e da prática. (Abordagem Triangular: É trabalhar o ensino da arte na relação da leitura da obra e sua contextualização. Seja no tempo, seja no espaço)

A ARTE NA EDUCAÇÃO INFANTIL


A presença das Artes em todas as culturas tenta concretizar em formas, cores, sons, os sentimentos e experiências do ser humano. Concordamos com Alcídio Mafra de Souza quando diz “Quanto mais examinamos o lugar que a arte ocupa e sempre ocupou nas atividades humanas, mais nos convencemos de sua importância. Não será ela, por acaso, o mais considerável de nossos meios de investigação e de comunicação?” (SOUZA, Alcídio Mafra, pág. 48, Artes Plásticas nas Escola, 1988)
            Quando pensamos em arte na escola, imediatamente pensamos na significação e nos valores que o educando pode obter, uma vez que as portas do conhecimento estão abertas, mais do que nunca, na fase pré-escolar. “Quando o professor reconhece o valor da atividade artística, procura capitalizar suas possibilidades com uma efetiva experiência educativa.”( SOUZA, Alcídio Mafra, pág. 50, Artes Plásticas nas Escola, 1988)
            Considerando que há diferenças peculiares entre uma fase de desenvolvimento infantil e outra, podemos dizer que as transformações que ocorrem de criança para criança podem ser diferentes, mas que o foco de educação para artes deve ser abrangente, construindo no indivíduo uma percepção mais apurada para a vida. “Deve ser capaz de transformar sua criança num indivíduo investigador consciente(que faz uso da inteligência), e com autonomia de ação (que não necessita do apoio do adulto ou de instruções), num ser inteligente e capaz de continuar o seu crescimento e ampliar o seu conhecimento por direção própria(...)é de pequena que ela forma ou não atitude positiva e ativa frente a situações novas. (RIZZO, Gilda, pág,35, Educação Pré-Escolar,1992)
             Propõe-se-á oportunidades para a educação infantil que levem a criança `a observação, imaginação, fluência, exploração, improvisação, concentração, criação e flexibilidade.
            A começar pelo ambiente de trabalho, a Arte Educadora trabalha conforme o ambiente do qual disponha, mas deve zelar pela iluminação, e pela facilidade de asseio, favoráveis ao desenvolvimento harmônico da expressão infantil. Com imaginação, poderemos obter um ambiente pobre e sem atrativos num local que estimule o desencadear de experiências ricas de aprendizagem.”Na Pré-escola, a jardineira precisa cuidar do clima social da sala-ambiente para que existam inúmeras oportunidades de conversinhas entre os membros de seu grupo. A posição de carinho e estímulo da jardineira será de suma importância no estabelecimento desse clima onde todos deverão gozar do direito à expressão do pensamento e desenvolver a sua linguagem.” (RIZZO, Gilda, pág,37, Educação Pré-Escolar,1992)
            Tomando-se como exemplo as características de crianças de 3 a 4 anos (movimentar-se, espalhar os materiais, construir e desmanchar suas construções),  preparamos um ambiente propício às ações naturais das crianças, sem esquecer que nesta faixa deixam cair a água, picam papéis espalhando-os pelo chão, sujam-se com tintas e estas são consideradas atividades naturais que não devem ser impedidas.
            Pouco a pouco a criança tem a noção de organização adquirindo hábitos saudáveis, e aos seis anos já não tem tanta necessidade de espaço, ainda que necessite circular pela sala. Também os materiais deverão estar ao alcance e com fácil identificação, porque a elas caberá auxiliar o professor na organização de sua sala de aula. “A criança aprende melhor vendo e pegando as coisas. Ela ainda não trabalha mentalmente informações ouvidas em palestras abstratas do professor.” (RIZZO, Gilda, pág,83, Educação Pré-Escolar,1992).
 Atividades fora da sala também oferecem condições de pesquisa e coleta de materiais, desde que sejam observadas as seguintes condições:
  • Planejamento das aulas.
  • Direcionar o ambiente de acordo com a proposta.
  • Orientar de forma clara e segura.
  • Oferecer alternativas que visem o atendimento às diferenças individuais.
  • Prever o material e o resultado do produto obtido.
  • Ter propostas prontas para os educandos que terminam antes seus trabalhos.
·         Estar disposto a conversar com as crianças sobre as produções delas.

Os Materiais Indicados

            Nesta faixa etária normalmente usar-se-á o lápis de cera, pela facilidade de manuseio, mas já introduz-se o lápis de cor para que a criança comece a ter contato com o mesmo.
            A aplicação do lápis de cera permite traços amplos sobre superfícies maiores e tem atuação:
  1. Gráfica quando utilizados para desenhos;
  2. Pictóricas quando atritados cobrindo as superfícies;e
  3. Escultórica quando gastos por instrumentais.

As tintas mais indicadas são o guache e as anilinas, tomando-se o cuidado de utilizar papéis mais espessos que suportem a água da tinta. Deve-se tomar alguns pequenos cuidados que aumentam a qualidade dos trabalhos como mexer a tinta antes de usar, adicionar água constantemente para que deslize melhor, retirar a tinta de seu pote com um palito de sorvete para não misturar as cores e fechar bem após o uso. Sua aplicação depende também da criatividade, já que além dos pincéis pode-se usar os dedos, esponjas, palitos, cotonetes, escovas, carimbos, espátulas e muito mais.